A Caminhar Dentro e Fora

Barbacena, Minas Gerais, 23 de junho de 2021

Eu ameacei escrever o título “começando um novo blog”. Parece que havia um cansaço de quem muito já viveu nessas palavras, soava como um “de novo”. Substitui. Tem algo que me anima especialmente a escrever esse blog, que é compor em escritos os caminhos percorridos dentro e fora de mim, mundos que agora podem se revelar a vocês, meus leitores assíduos.

Aqui estamos para o Mundo Para Mim. Sintam-se bem-vindos. Eu me sentirei em casa com vocês – ou como se estivéssemos em torno de uma fogueira em noite estrelada onde é possível conversar sobre um mundo de coisas (e é esse “um mundo de coisas” que tenho para escrever).

O Mundo de fora

É mais fácil de explicar um blog que se concentra no mundo de fora. Esse mundo que nossos olhos podem ver. As paisagens. As trilhas. As montanhas. Gosto das narrações sobre esse mundo, mas não é bem essa a minha proposta.

Até porque eu não seria uma boa guia de viagens. Eu gosto de fazer minhas explorações mais quieta e em silêncio. Não anoto os endereços. Não sei o nome dos pontos que visitei. Não costumo ir aos lugares que os turistas sempre vão. Me habituo com lugares aconchegantes mundo afora e me apego a eles, tendendo a repetir os destinos.

Acontece que o mundo de fora ativa em mim sabedorias. Não são coisas que vejo nem pessoas com quem converso. Não sei bem explicar, tentarei. É como se eu fosse um rádio receptor e dependendo de onde estou eu canalizo percepções diferentes, acesso saberes. É uma interação entre o que está se passando comigo e o que o lugar me traz. Essa minha habilidade tem se tornado cada vez mais desenvolvida. E ter esse blog como um espaço de partilha dos meus escritos – que geralmente faço em meus cadernos – vai me ajudar a intensificar (e organizar) esse processo.

O mundo de fora ativa percepções e sabedorias. E o que faço é permitir que ele me mostre qual o próximo ponto no mapa devo ir. Simplesmente sigo.

Há momentos em que a minha intuição está mais forte, é como se a luz cintilante dos lugares ficasse ainda mais reluzente. Quanto mais conectada estou, presente, mais esses pontos são capazes de saltar aos meus olhos. Mesmo em fases que posso estar com minha intuição menos intensa, ainda assim os lugares me sinalizam. “Paula, hora de vir para cá, prepare suas malas”. E um dia, com calma, eu conto como faço com as finanças. E posso garantir que uma mágica sempre acontece.

E é claro que há fases que estou mais medrosa, ou preguiçosa. Fases em que o mundo de fora me chama e eu coloco o alarme no soneca. “Me dê mais uns minutos, por favor”. Fiz por algumas vezes nos últimos anos, e também por isso o tempo para esse blog acontecer levou uns anos. Agora é hora.

Nessa foto, estou na Chapada Diamantina, em 2014. Em silêncio tomada pela grandeza do mundo.

mundo de dentro

Quando algo se move fora, algo se move dentro. E o mover-me pelo mundo foi o que me fez perceber com clareza o quanto os processos de transformação são evolucionados – se é que essa palavra existe – por estarmos disponíveis para nos mover literalmente pela vida.

Mover pela vida não tem a ver somente com fazer as malas e se enfiar num avião. Tem a ver com ser disponível para os chamados que a vida nos faz. “Venha aqui. Construa ali. Entregue aquilo. Expresse isso. Libere estes”.

A interação com o mundo de dentro acontece também por meio do que se passa no mundo de fora.

Há um ditado que ouvi de uma aluna querida durante um workshop que por um tempo eu ministrei sobre viagens de transformação. Essa aluna, Amanda Cordeiro, dizia “incomodou, doeu? toma que é seu!”, ela disse ter ouvido de uma psicóloga, a Flávia Melissa. E eu adorei essa frase. Ela é tão verdadeira. Estou sempre me referindo a ela. O mundo de fora traz as pessoas, os eventos, as situações, as surpresas que tocam o mundo de dentro. Saímos da constância interna pelos eventos que a vida nos traz. O mundo de fora é fonte para a transformação do mundo de dentro.

Também fui lapidando minha percepção de que da mesma maneira que o mundo de fora traz os incômodos e revela as verdades inconvenientes que nos habitam por um mecanismo de espelhamento muito inteligente, também o mundo de fora ilumina as luzes que nos habitam e que sozinhos não perceberíamos. O psiquiatra Italo Marsili disse em uma de suas lives e eu gostei, que você só pode dizer que é paciente e que tem domínio sobre a paciência se o mundo trouxer situações que exigem sua paciência e nelas você escolhe ser paciente. Ser intocado pelo mundo de fora impede que nosso mundo de dentro seja também exposto.

Durante meu curso de paraquedismo, que fiz em 2013 em Manaus, cheguei a uma conclusão sobre a zona de conforto que num próximo post explicarei em detalhes. Mas em resumo percebo que quanto mais estamos dispostos a ir ao mundo lá fora, mas o mundo de dentro pode expandir, porque crescemos em referências, em experimentações, em emoções vividas e enquanto esse mundo de dentro expande, mais confortáveis vamos ficando pelo mundo de fora.

Uma sinergia. Uma dança que coopera. Duas espirais que ascendente juntas.

Saudações e até,

Paula Quintão.

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